Dia 1: Fundamentos
Gênesis 1:1 - 2:25
Criação, Ordem, Propósito e Vocação Humana
Contexto histórico e literário
Autoria e contexto: Tradicionalmente atribuído a Moisés. Escrito para um povo recém-liberto do Egito, cercado por cosmovisões pagãs, prestes a entrar na Terra Prometida.
Gênesis não nasce em um vácuo. Ele dialoga intencionalmente com mitologias mesopotâmicas (Enuma Elish), cosmovisões egípcias, narrativas onde o mundo nasce do caos, da violência e da briga entre deuses.
Gênesis confronta tudo isso.
Gênesis 1:1 - A afirmação fundacional
"No princípio, criou Deus os céus e a terra."
Exegese:
O texto não tenta provar Deus. Ele parte da existência de Deus como pressuposto. A Bíblia começa com Deus, não com o homem.
Gênesis 1:2-31 - Criação por palavra e ordem
Estrutura intencional dos dias:
Não é poesia solta, é arquitetura teológica.
Palavra como agente criador: "E Deus disse..." - a criação acontece pela palavra. Isso prepara o caminho para João 1 e Cristo como Logos. A realidade responde a voz de Deus.
A criação do homem (1:26-28)
"Façamos o homem a nossa imagem..."
Exegese:
Gênesis 2 - O foco se estreita
Gênesis 2 não contradiz Gênesis 1. Ele aproxima a lente.
Jardim do Éden: lugar de provisão, lugar de trabalho, lugar de presença. Trabalho não é resultado da queda. Ele é parte do design original.
O homem antes da mulher (2:7-18)
Adão é formado do pó, Deus sopra o fôlego de vida. O homem é dependente, limitado, relacional.
"Não é bom que o homem esteja só" - Primeira coisa "não boa" da Bíblia. Solidão antecede o pecado.
A criação da mulher (2:21-25)
Formada do lado, não da cabeça nem dos pés. Igualdade em essência, complementaridade em função.
"Uma só carne" - unidade profunda, pacto, intimidade sem vergonha.
"Estavam nus e não se envergonhavam" - inocência, transparência, ausência de culpa.
Teologia central de Gênesis 1-2
Hermenêutica - como ler isso hoje corretamente
Aplicação prática
Conexão com o plano anual
A Bíblia começa com: criação, ordem, vida, presença.
E termina com: nova criação, ordem restaurada, vida plena, presença eterna.
Você começou exatamente onde precisava começar.
Mateus 1:1 - 2:12
O Rei Prometido, a História Redimida e o Reino que Chega de Forma Inesperada
Contexto histórico e intenção do evangelho
Autor: Mateus, judeu, ex-cobrador de impostos
Publico-alvo principal: judeus
Objetivo central: provar que Jesus e o Messias prometido, herdeiro legítimo das promessas feitas a Israel.
Por isso Mateus começa onde o judeu entende autoridade: genealogia + Escrituras.
Mateus 1:1 - O título programático
"Livro da genealogia de Jesus Cristo, filho de Davi, filho de Abraão."
Exegese:
Mateus resume toda a história de Israel em uma frase.
A genealogia (1:2-17) - Graça dentro da história
Estrutura: 3 blocos de 14 geracoes:
14 = valor numérico do nome "Davi" em hebraico. A genealogia é teológica, não apenas cronológica.
As mulheres na genealogia (ponto crucial)
Mateus inclui: Tamar (escandalo), Raabe (prostituta), Rute (moabita), Bate-Seba ("mulher de Urias"), Maria.
Nenhuma delas se encaixa no "padrao mêssianico" esperado. Todas carregam histórias de dor, marginalização ou pecado.
Mateus está ensinando: Deus não depende de histórias limpas. O Messias entra numa história quebrada para redimi-la.
Mateus 1:18-25 - O nascimento virginal
"Achou-se gravida pelo Espírito Santo"
Exegese: concepcao sobrenatural, não mitologica, não simbólica.
Doutrina essencial: humanidade real, divindade plena.
Nome: Jesus (Yeshua) = "O Senhor salva" - missão explicita: salvar do pecado.
Título: Emanuel = Deus conosco.
Deus não apenas salva a distância. Ele entra na história.
Mateus 2:1-12 - O Rei reconhecido pelos de fora
Os magos: não eram reis, não eram judeus, provavelmente astrologos da Persia.
Ironia teológica:
Herodes representa o poder ameacado, o falsó rei. O verdadeiro Rei nasce humilde, não palaciano.
Ouro, incenso e mirra
Não são símbolos inventados depois, mas coerentes:
Desde o nascimento, a cruz já está no horizonte.
Teologia central de Mateus 1-2
Hermenêutica - leitura madura hoje
Aplicação prática
Conexão com Gênesis 1-2
Salmos 1:1-6
Dois Caminhos, Duas Vidas, Dois Destinos
Contexto literário e função canônica
O livro dos Salmos não é uma coletânea aleatória. Ele foi organizado com intenção teológica.
Salmos 1 e 2 funcionam como introdução dupla:
Antes de ensinar a orar, os Salmos ensinam como viver.
Estrutura do Salmo 1
O salmo é cuidadosamente construído:
Não há meio-termo.
Salmos 1:1 - O que o justo não faz
"Bem-aventurado o homem que não anda no conselho dos impios..."
Exegese:
Três verbos em progressao: andar, deter-se, assentar-se.
O pecado é apresentado como processo, não evento isolado.
Três esferas: conselho (pensamento), caminho (prática), roda (identidade/pertencimento).
O salmo começa com um "nao" pedagogico.
Salmos 1:2 - O que o justo faz
"Antes, o seu prazer está na lei do Senhor..."
Exegese:
A vida justa não é marcada apenas por renúncia, mas por afeição correta.
Salmos 1:3 - A imagem da árvore
"Ele é como árvore plantada junto a ribeiros de águas..."
Exegese:
Prosperidade bíblica ≠ ausência de dificuldades. Prosperidade bíblica = vida frutifera diante de Deus.
Salmos 1:4-5 - O destino dos impios
"Os impios não são assim..."
Imagem: palhá - leve, sem raiz, levada pelo vento.
Contraste intencional: árvore vs palha, permanencia vs instabilidade.
Versó 5: juízo, exclusão da assembleia dos justos.
Salmos 1:6 - O conhecimento de Deus
"Pois o Senhor conhece o caminho dos justos..."
Exegese:
"conhecer" (yada): não é informação, é relacionamento, cuidado ativo.
Deus não apenas observa. Deus se envolve com o caminho do justo.
Teologia central do Salmo 1
Hermenêutica - leitura madura
Aplicação prática diaria
Conexão com os outros textos do Dia 1
Cristo e o justo por excelencia do Salmo 1.
Provérbios 1:1-6
O Propósito da Sabedoria e a Formação do Discernimento
Contexto histórico e literário
Autoria é tradicao: Atribuido majoritariamente a Salomão, rei conhecido por sabedoria concedida por Deus (1Rs 3), capacidade de governar com discernimento.
Provérbios pertence a literatura sapiencial: Jo, Eclesiastes, Provérbios.
Não é lei, não é profecia, não é narrativa. E formação de carater.
Funcao introdutoria do texto
Provérbios 1:1-6 responde a uma pergunta essencial: Para que serve este livro?
Antes de ensinar o que fazer, ele ensina como pensar.
Provérbios 1:1 - A fonte da sabedoria
"Provérbios de Salomão, filho de Davi, rei de Israel."
Exegese:
Autoridade triplice: sabedoria péssoal, linhagem davidica, função real.
A sabedoria bíblica nasce: da revelação, da vida, da responsabilidade.
Provérbios 1:2 - O objetivo central
"Para conhecer a sabedoria e a instrução..."
Exegese dos termos:
Sabedoria não é apenas aprender, é ser moldado.
Provérbios 1:3 - Formação do carater
"Para adquirir instrução do sabio proceder..."
Três pilares: justiça, juízo, equidade.
Sabedoria sempre se manifestá eticamente.
Provérbios 1:4 - O publico-alvo
"Para dar aos simples prudencia..."
Exegese:
Provérbios não despreza o simples. Ele o educa.
Jovem: fase de formação, decisoes moldam o futuro.
Provérbios 1:5 - Sabedoria progressiva
"Ouca o sabio é cresca em prudencia..."
A sabedoria bíblica não tem teto. O simples aprende, o sabio continua aprendendo.
Humildade intelectual é marca do sabio.
Provérbios 1:6 - O metodo
"Para entender proverbios é parabolas..."
Exegese:
Provérbios exige: atencao, meditação, tempo. Não é leitura apressada.
Teologia central de Provérbios 1:1-6
Hermenêutica - leitura madura
Aplicação prática diaria
Conexão com os outros textos do Dia 1
Cristo e a sabedoria de Deus (1Co 1:24).
🙏 Oracao do Dia 1
Senhor, ensina-me a ler Tua Palavra não como consumidor, mas como criatura diante do Criador. Alinhá minha identidade, meu trabalho é meus relacionamentos ao Teu design. Amem.