Dia 2: Queda e Promessa
Gênesis 3:1 - 4:26
Queda, Promessa, Culto e a Expansão do Pecado - e da Graça
Contexto teológico do texto
Gênesis 3-4 responde as grandes perguntas da existência humana: Por que o mal existe? De onde vem a vergonha? Por que o trabalho é penoso? Por que há violência entre irmãos? Onde está Deus quando o homem peca?
O texto não é mito nem alegoria moral. Ele é história teológica, revelação do carater de Deus e do homem.
Gênesis 3:1-5 - A tentação e a distorcao da Palavra
"Foi assim que Deus disse...?"
Exegese: A serpente não nega Deus diretamente, distorce a Palavra, lanca duvida sobre o carater de Deus.
Estrategia central: Deus não é confiavel, Deus retem algo bom, autonomia é melhor que obediência.
Todo pecado começa com uma teologia errada de Deus.
Gênesis 3:6-7 - O ato da queda
"Vendo a mulher que a árvore era boa..."
Três criterios: boa para comer (desejo), agradavel aos olhos (estetica), desejavel para dar entendimento (orgulho).
O pecado promete plenitude, mas entrega vergonha. Resultado: olhos abertos, consciência sem redenção, vergonhá imediata.
Gênesis 3:8-13 - Deus busca o homem
"Onde estas?"
Exegese: Deus não pergunta por informação, pergunta por relacionamento rompido. Mesmo após a desobediência, Deus é quem toma a iniciativa.
O homem: se esconde, transfere culpa, rompé relações.
Gênesis 3:14-19 - Juízo é misericórdia juntos
O protoevangelho (3:15): "Ele te ferira a cabeça, é tu lhe feriras o calcanhar."
Primeira promessa mêssianica da Bíblia. Vitória com sofrimento. A redenção é anunciada antes da expulsão do jardim.
Gênesis 3:20-24 - Graça em forma de limite
Deus veste o homem (sacrifício implicito). Deus expulsa do jardim. A expulsão não é só punicao, é protecao: viver eternamente em estado caido seria condenação.
Gênesis 4:1-7 - Caim é Abel: o problema do culto
Exegese: não é sobre tipo de oferta, é sobre coração. Abel oferece com fe, Caim oferece sem submissao.
Deus confronta Caim antes do pecado se consumar. "O pecado jaz a porta..." - O pecado é personificado como predador.
Gênesis 4:8-16 - O primeiro homicidio
O pecado vertical (contra Deus) torna-se pecado horizontal (contra o irmão). Resultado: violência, alienação, marca de protecao paradoxal. Deus pune, mas preserva a vida.
Gênesis 4:17-24 - A civilização sem Deus
Linhagem de Caim: progressó cultural, avanco tecnologico, degeneração moral. Lameque celebra a violência, orgulho do pecado. Desenvolvimento sem redenção amplifica o mal.
Gênesis 4:25-26 - Esperança restaurada
"Então se começou a invocar o nome do Senhor."
Aqui nasce a adoração publica. O plano redentor continua. O pecado não tem a palavra final.
Teologia central de Gênesis 3-4
Aplicação prática
Mateus 2:13 - 3:12
O Messias Perseguido e o Chamado ao Arrependimento
Contexto literário é teológico
Mateus continua seu objetivo: provar que Jesus e o Messias, mostrar que Ele cumpre as Escrituras.
Mas não por meio de glória imediata, é sim por humilhação, exilio é confronto.
Mateus 2:13-15 - A fuga para o Egito
"Levanta-te, toma o menino é sua mãe, é foge para o Egito..."
Exegese: Jesus se torna refugiado. Israel havia sido chamado "meu filho" (Os 11:1), agora Jesus recapitula a história de Israel.
"Do Egito chamei o meu Filho" - originalmente sobre Israel, agora aplicado a Cristo como Israel fiel. Onde Israel falhou, Cristo será obediente.
Mateus 2:16-18 - O massacre dos inocentes
Herodes: poder paranoico, medo de perder o trono. Mateus cita Jeremias 31:15 - lamento, dor, exilio.
O Reino de Deus confronta poderes violentos. A vinda do Messias provoca oposição real.
Mateus 2:19-23 - O retorno é Nazare
"Ele será chamado Nazareno" - não é citação literal, é sintese profetica.
"Nazare": lugar desprezado, sem prestigio mêssianico. O Messias cresce fora do centro do poder.
Mateus 3:1-6 - João Batista: o mensageiro
"Arrependei-vos, por que está próximo o Reino dos céus."
Exegese: João aparece no deserto, vestes simples, alimentação austera. João não atrai pelo status, mas pela mensagem.
Ele cumpre Isaías 40:3: prepara o caminho, endireita as veredas. O Reino começa com arrependimento, não com espetaculo.
Mateus 3:7-10 - O confronto com os religiosos
"Raca de viboras..."
Exegese: João confronta fariseus (religiosos rigorosos) é saducéus (religiosos politicos).
Ponto central: descendencia não salva, ritual não substitui arrependimento, fruto revela realidade espiritual. Deus não se impressiona com títulos religiosos.
Mateus 3:11-12 - O Messias superior
João se coloca em seu lugar: batiza com água, Jesus batizara com Espírito é fogo.
"Fogo": purificação, juízo. O Reino separa: trigo é palha.
Teologia central do texto
Aplicação prática
Salmos 2:1-12
O Reino Inabalavel de Deus e o Seu Rei Ungido
Contexto literário é canonico
Salmos 1 e 2 formam a porta de entrada do livro: Salmo 1 = dois caminhos (justo x impio), Salmo 2 = dois reinos (Deus x nações).
Um mostra como viver, o outro mostra quem governa. Tradicionalmente atribuído a Davi (cf. At 4:25-26).
Estrutura do Salmo
O salmo tem quatro cenas, como um drama:
Salmos 2:1-3 - A rebeliao humana
"Por que se enfurecém as nações...?"
Exegese: "enfurecém" = agitação caotica, "coisas vas" = vazio, ilusao.
As nações rejeitam o governo de Deus, veem a lei divina como opressao. "Rompamos as suas algemas..."
O pecado sempre redefine liberdade como ausência de autoridade.
Salmos 2:4-6 - A resposta de Deus
"Ri-se aquele que habita nos céus..."
Exegese: não é escarnio humano, é ironia divina diante da impotencia da rebeliao.
Deus não entra em panico. Ele já estabelecéu o Rei. "Eu constitui o meu Rei sobre Siao". A soberania de Deus não reage, ela governa.
Salmos 2:7 - O decreto divino
"Tu es meu Filho, eu hoje te gerei."
Exegese: linguagem de entronização real, adocao funcional, não biologica.
No NT, este versó é aplicado a Cristo: batismo (Mt 3), ressurreição (At 13:33), exaltação (Hb 1). Jesus e o Rei definitivo.
Salmos 2:8-9 - Autoridade universal
"Pede-me, é eu te darei as nações por heranca..."
Exegese: o Reino de Deus não é tribal, é universal. A vara de ferro: autoridade justa, juízo contra rebeliao persistente. O mêsmo Rei que salva também julga.
Salmos 2:10-12 - O convite final
"Servi ao Senhor com temor..."
O salmo termina com graça, não apenas juízo. "beijai o Filho" = submissao, lealdade. "bem-aventurados" = refugio no Rei.
O refugio está naquele que governa, não fora dele.
Teologia central do Salmo 2
Aplicação prática
Provérbios 1:7-9
O Temor do Senhor como Fundamento da Sabedoria
Contexto literário imediato
Provérbios 1:1-6 explicou para que o livro existe. Provérbios 1:7 agora responde de onde a verdadeira sabedoria vem.
Este versículo é repetido, com variacoes, ao longo do livro (cf. Pv 9:10), por que ele é fundacional, não periferico.
Provérbios 1:7 - O princípio de tudo
"O temor do Senhor e o princípio do saber; os loucos desprezam a sabedoria e a instrução."
Exegese dos termos-chave:
Sem temor do Senhor, pode haver inteligencia, estrategia, habilidade. Mas não há sabedoria bíblica.
A tolice bíblica é moral, não cognitiva.
Provérbios 1:8 - A mediação da sabedoria
"Filho meu, ouve a instrução de teu pai..."
Exegese: a sabedoria é transmitida, começa no ambiente famíliar, passa por autoridade legitima.
O temor do Senhor se aprende em relacionamento, não apenas em livros.
Provérbios 1:9 - A beleza da sabedoria
"Porque serao diadema de graça para a tua cabeça..."
Exegese: diadema = honra publica, colares = dignidade visível.
A sabedoria não apenas protege; ela adorna a vida. Não é vaidade, é testemunho.
Teologia central de Provérbios 1:7-9
Hermenêutica - leitura madura
Aplicação prática diaria
🙏 Oracao do Dia 2
Senhor, ensina-me a temer-Te corretamente. Livra-me da arrogancia espiritual e da fé sem reverencia. Que minha vida sejá construida sobre o fundamento do Teu temor, é que a sabedoria molde meus pensamentos, palavras é escolhas. Amem.